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A Espécie Determina Tudo o Resto
Não existe "como cuidar de um bonsai" — existe como cuidar de um ácer, de uma oliveira, de um pinheiro-negro. A espécie define o calendário de poda, a janela de transplante, a tolerância ao sol, a frequência de rega e o substrato. Tratar todas as árvores da mesma maneira é a origem da maioria dos problemas que encontramos.
Este guia percorre as espécies que efectivamente se vêem em Portugal, agrupadas pelo que mais interessa a quem tem uma: o grau de exigência.
Mediterrânicas: as Mais Adaptadas ao Clima Português
Oliveira e zambujeiro (Olea europaea)
Se há uma espécie que se dá em Portugal, é esta. A oliveira e a sua variedade brava, o zambujeiro, são nativas, resistem ao calor e à secura do verão, toleram erros de rega que matariam outras árvores e brotam com vigor depois de podas severas — o que perdoa muita coisa a quem está a aprender.
É também a espécie que produz os exemplares mais cobiçados em coleções nacionais: troncos velhos, ocos e retorcidos, recolhidos da natureza, com um carácter que nenhuma árvore cultivada em vaso consegue imitar. Exigência: baixa. Transplante no final do inverno. Sol pleno sem problema.
Romãzeira (Punica granatum)
Muito bem adaptada, com a vantagem de dar flor vermelha vistosa no verão e por vezes fruto. Casca que envelhece bem e ganha textura depressa. Caducifólia, por isso perde a folha no inverno — normal, não é sinal de problema. Exigência: baixa a média. Gosta de bastante água na época de crescimento.
Sobreiro e pinheiro-manso
Menos frequentes, mas com forte identidade portuguesa. O sobreiro tem uma casca inconfundível que é o seu grande atractivo. Ambos são de crescimento lento e exigem paciência — não são árvores para quem quer resultados rápidos. Exigência: média, sobretudo por causa do tempo.
Clássicas Japonesas: Prestígio com Exigência
Ácer japonês (Acer palmatum)
A espécie mais desejada e a que mais sofre no clima português. A folhagem fina e a cor de outono são espectaculares, e é precisamente essa delicadeza que a torna vulnerável: as margens das folhas queimam com sol directo e vento seco, e o verão do interior da Grande Lisboa é castigo puro.
Não é doença — é posição. Um ácer precisa de meia-sombra nas horas de maior calor, abrigo do vento e rega vigiada. Nas zonas litorais de Cascais, Sintra e Colares, com mais humidade atlântica e amplitudes térmicas suaves, dá-se francamente melhor. Exigência: alta. Substrato ácido, nunca água muito calcária.
Zelkova e ulmeiro-chinês
Duas das melhores escolhas para quem quer uma árvore de folha caduca sem a fragilidade do ácer. Ramificam com enorme facilidade — o que dá muita satisfação, porque a árvore evolui depressa — e toleram bem o clima português. O ulmeiro-chinês é, provavelmente, o melhor bonsai para começar. Exigência: baixa a média.
Pinheiro-negro japonês (Pinus thunbergii)
A espécie de maior prestígio na tradição japonesa e uma das mais tecnicamente exigentes. Trabalha-se com técnicas próprias — desponte dos rebentos no início do verão, limpeza de agulhas velhas no outono — que nada têm a ver com a poda de outras árvores. Um pinheiro tratado como se fosse uma folhosa perde-se com facilidade. Exigência: alta, e sobretudo técnica.
Junípero (Juniperus)
Muito comum e muito mal compreendido. Resiste bem, mas tem uma característica traiçoeira: quando morre, mantém-se verde durante semanas. É frequente alguém perceber tarde demais que a árvore já não estava viva. Espécie de exterior obrigatório, não sobrevive dentro de casa. Exigência: média.
Buxo (Buxus)
Robusto, de folha pequena e denso, muito adequado a formas compactas. É a mesma espécie das sebes de topiária de muitos jardins da linha de Cascais, por isso adapta-se sem dificuldade. Atenção à broca-do-buxo, que se instalou em Portugal e é destrutiva. Exigência: baixa, com vigilância fitossanitária.
Tropicais: as Únicas de Interior
Praticamente todos os bonsais são árvores de exterior e precisam do frio do inverno para entrar em repouso. Mantidas dentro de casa, definham lentamente ao longo de meses — e quem oferece um bonsai a alguém raramente explica isto.
As excepções são as tropicais: ficus (o mais tolerante de todos, quase indestrutível) e carmona, que é vendida como fácil e não é — precisa de muita luz e sofre com ar seco. Mesmo estas preferem estar no exterior durante o verão.
Se Está a Escolher
Para uma primeira árvore que lhe interesse manter viva, a ordem sensata em Portugal é: oliveira ou zambujeiro, depois ulmeiro-chinês, depois romãzeira. Deixe o ácer japonês e o pinheiro-negro para quando já tiver traquejo — são as árvores que mais compensam e as que mais depressa punem um erro.
E independentemente da espécie, o que define o valor de um bonsai não é a raridade: é a idade e o carácter do tronco, que só o tempo e a manutenção continuada produzem.
A R&B Espaços Verdes faz manutenção de bonsais ao domicílio em Lisboa, Cascais, Estoril, Oeiras e Sintra, com calendário de poda e transplante adaptado a cada espécie. Leia também como regar um bonsai correctamente e as ferramentas de bonsai e para que servem.
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